me sentei no cume da beirada, assistindo os filhos da terra com medo de verem e ouvirem seus pais fecundando.
raios, trovões, bruta energia de criação, o céu fertiliza a terra, a terra quer a gestação.
o vento trouxe chuva, trouxe vida... então é isso, é disso que todos têm medo, medo de viver.
senti saudades, senti saudades das dores que me motivaram a mudar, que me motivaram a criar, que me motivam a vir até aqui fazer aquele som, aquele que não foi feito.
eu me esqueci, e quando esfriei, lembrei que isso era crescer.
foram duros aqueles presentes onde doei toda a minha presença e ela foi desperdiçada,
depois disso não quis reagir a mais nada, trancada em retirada, de partida e magoada.
foi bom estar cansada de sentir-me enganada, é bom não ter medo de nada.
dizer foda-se pra essa palhaçada, deixar pra trás quem acha que existe estabilidade,
deixa só o barco dar uma virada~que seja eterno enquanto dure~ sem liberdade acaba
enganada, enganada e enganada. a que julga é igual a julgada.
chega a dar nojo da mentira gostosa de ouvir, chega a dar odio do santo que se faz passar,
chego a ruir, chego a pensar em debandar. permaneço pra ver se vejo mais alguém sair
da sansara de ilusão, de toda crença criada, de todas as fabulas contadas,
da religião e do sermão...é tudo ilusão!
sai do labirinto da questão, rodopiando com a razão~
esperando despertar, quem mais está pronto para questionar?
sem medo da resposta que vai vir, não temendo a verdade que vai escutar.
quando tudo estiver pronto vem me procurar,
ser feliz se descobrir, que já pecou ao imaginar,
fundindo os basicos da criação, o desejo é motivação e o errado é pura ilusão,
pra se perder sem medo e se descobrir, se entregue a confusão, fixando os olhos no olho do furacão
.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Sol da meia noite.
Janaína, lá vem uma onda tua
continuo aqui a observar
sem saber se molho os pés
ou me arrisco a mergulhar.
Tu pra mim é a rainha do mar
mas me disseram que não é orixá,
que a umbanda emprestou da África uma linhagem Iorubá
mas que a umbanda não era isso,
que a encantaria lhe cairia bem,
que demanda é ilusão de quem a tem.
Vou aceitando a desconstrução,
abrindo espaço para novos conhecimentos
tiro de mim algo ruim,
a realidade esmaga a ilusão
e já não existe mais tormento.
Deixo a onda levar
o que foi construido em volta de teu lar,
dona sereia, quem seria tolo de proteger castelos de areia?
continuo aqui a observar
sem saber se molho os pés
ou me arrisco a mergulhar.
Tu pra mim é a rainha do mar
mas me disseram que não é orixá,
que a umbanda emprestou da África uma linhagem Iorubá
mas que a umbanda não era isso,
que a encantaria lhe cairia bem,
que demanda é ilusão de quem a tem.
Vou aceitando a desconstrução,
abrindo espaço para novos conhecimentos
tiro de mim algo ruim,
a realidade esmaga a ilusão
e já não existe mais tormento.
Deixo a onda levar
o que foi construido em volta de teu lar,
dona sereia, quem seria tolo de proteger castelos de areia?
terça-feira, 26 de abril de 2016
progresso no processo
chapuletada de tropa desarmada, eita surra danada.
amuada, afugentada, deprimida e comprimida,
a confusão foi permitida pelo próprio desentendimento de saber
que o risco de tentar, é a metade da chance de errar.
mas só queria ajudar, queria ajudar o outro a se achar,
usando da psicologia pra se livrar da culpa de não saber como levar,
mas do ponto que se envolveu, o que recebeu passou a ser seu.
complicado se envolver, mas se não envolver como saber?
se deixou afundar pela correnteza do mar,
ouviu o canto da sereia batendo a calda na areia.
mistério e magia, camuflando segredos, pois criança com medo
acalmamos com ilusão e a tristeza é ver ela partir o coração
quando o folclore criado é desmistificado.
criança ferida, inteligente e querida
mas sempre tão pensativa, procurava na vida
sempre enxergar a razão.
medo de responsabilidade, medo da sociedade
queria coragem para amar, coragem pra criar
criar uma cria, pra encher de carinhos,
cobrir de beijinhos, ajudar a crescer, cantar pra acalmar.
chega de choramingar, deixa fechar a cicatrizar
permita se curar, se permitindo se doar para de outro cuidar.
amuada, afugentada, deprimida e comprimida,
a confusão foi permitida pelo próprio desentendimento de saber
que o risco de tentar, é a metade da chance de errar.
mas só queria ajudar, queria ajudar o outro a se achar,
usando da psicologia pra se livrar da culpa de não saber como levar,
mas do ponto que se envolveu, o que recebeu passou a ser seu.
complicado se envolver, mas se não envolver como saber?
se deixou afundar pela correnteza do mar,
ouviu o canto da sereia batendo a calda na areia.
mistério e magia, camuflando segredos, pois criança com medo
acalmamos com ilusão e a tristeza é ver ela partir o coração
quando o folclore criado é desmistificado.
criança ferida, inteligente e querida
mas sempre tão pensativa, procurava na vida
sempre enxergar a razão.
medo de responsabilidade, medo da sociedade
queria coragem para amar, coragem pra criar
criar uma cria, pra encher de carinhos,
cobrir de beijinhos, ajudar a crescer, cantar pra acalmar.
chega de choramingar, deixa fechar a cicatrizar
permita se curar, se permitindo se doar para de outro cuidar.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
erenãominta
a febre volta e a garganta sangra, meu verbo quer rasgar os meus segredos, a minha pele continua a queimar, por onde ninguém vê o rio da vida ferve, eu preciso escutar minha respiração e agradecer, agradecer a inspiração da vida, a expiração que lembra que o tempo é dono da morte. fecharam os caminhos até um campo minado, um campo de concentração pessoal, no qual reconheço o sentimento recorrente de não pertencer a mais nenhum ambiente. respira. quantas vezes só cumprir o meu papel? quantas vezes meu papel foi só passar, ver todo mundo se encontrar? muita agua correu aqui, muito passou, quanta força eu tive que fazer, quantas vezes o destino venceu e me levou. todos se encontrando, eu sempre me perdendo, sendo afastada por forças que me dizem ser guiadas. cigana, que não aprendeu a ser dissimulada. eremita, tão cedo.segura o choro, afasta o medo. nathali, seja sempre corajosa.
quinta-feira, 24 de março de 2016
des-espera.
o choro dela não é por você.
o esforço, o suspiro, o jeito arrastado,
as palavras, o eufemismo, a poesia,
nada disso tem você de pano de fundo.
as musicas que ela escuta, o olhar deprimido.
não é você quem ela encontra no pensamento perdido.
no fim das contas ela não está mais te esperando,
você não é mais a causa da insônia
e tão pouco será a solução do problema.
num golpe lento você a deixou pensar que sim
por medo dos danos e machucados,
por pena, por dó talvez.
mal sabia que ela prefere morrer
num bruto golpe honesto,
que definhar com mentiras e esperas.
a quanto tempo você a manteve esperando?
quanto tempo achou que ela esperaria?
é preciso que alguém te diga que
ela terminou o relacionamento com a espera,
e agora vai se apaixonar, se entregar e amar
apenas o que como ela já não pode mais esperar.
o esforço, o suspiro, o jeito arrastado,
as palavras, o eufemismo, a poesia,
nada disso tem você de pano de fundo.
as musicas que ela escuta, o olhar deprimido.
não é você quem ela encontra no pensamento perdido.
no fim das contas ela não está mais te esperando,
você não é mais a causa da insônia
e tão pouco será a solução do problema.
num golpe lento você a deixou pensar que sim
por medo dos danos e machucados,
por pena, por dó talvez.
mal sabia que ela prefere morrer
num bruto golpe honesto,
que definhar com mentiras e esperas.
a quanto tempo você a manteve esperando?
quanto tempo achou que ela esperaria?
é preciso que alguém te diga que
ela terminou o relacionamento com a espera,
e agora vai se apaixonar, se entregar e amar
apenas o que como ela já não pode mais esperar.
quarta-feira, 23 de março de 2016
roseira
Num canteiro bem cuidado,
com alecrim e manjericão,
a beleza se fez na terra
botão, por botão.
Brancas, vermelhas, amarelas,
guardadas por espadas de ogum,
inspirando romances e poesias
no emaranhado de caules e folhas,
suaves pétalas surgiam.
Mas como o destino se faz variar,
um dia uma rosa amarela,
pela violeta se viu apaixonar.
rosas apaixonadas,
cheias de espinhos
temendo se machucar.
Do medo o cuidado,
do cuidado o fim amargo.
Colheram rosas brancas para simbolizar a paz,
vermelhas para a paixão de um rapaz,
as amarelas aos orixás
e as violetas ficaram mas sem amor murcharam.
Quem plantaria uma roseira?
Uma perto de uma cachoeira,
para Oxum abençoar
que um amor tão genuíno
pudesse ali reencarnar,
sem o medo de uma guerra começar.
com alecrim e manjericão,
a beleza se fez na terra
botão, por botão.
Brancas, vermelhas, amarelas,
guardadas por espadas de ogum,
inspirando romances e poesias
no emaranhado de caules e folhas,
suaves pétalas surgiam.
Mas como o destino se faz variar,
um dia uma rosa amarela,
pela violeta se viu apaixonar.
rosas apaixonadas,
cheias de espinhos
temendo se machucar.
Do medo o cuidado,
do cuidado o fim amargo.
Colheram rosas brancas para simbolizar a paz,
vermelhas para a paixão de um rapaz,
as amarelas aos orixás
e as violetas ficaram mas sem amor murcharam.
Quem plantaria uma roseira?
Uma perto de uma cachoeira,
para Oxum abençoar
que um amor tão genuíno
pudesse ali reencarnar,
sem o medo de uma guerra começar.
quarta-feira, 9 de março de 2016
Quem está ai?
Eu caminhava por tantos lugares em busca de companhia, em busca daquilo que me completasse. Fui aos becos e aos vales, ao alto da montanha e me banhei no oceano. Nos olhares os mistérios, nos sorrisos os desabafos, quem está ai? No pouco que me diziam, procuravam me mostrar quem estava lá, eu estava, mas não me enxergava. Eu ia com eles, e seguia as oportunidades, quem está ai também possui tantas vontades? Experimentei os sentimentos, os sentidos aguçados, o corpo sendo testado, para que eu pudesse vivenciar. Do amor eu me esquivava pois era professor também da escuridão, do apego da matéria, da dor da ilusão. Me afastava, me repelia, quem está aqui? Esperava o prazer de infinita companhia, de sono dividido, de jantares preparados, de problemas resolvidos, de prazeres escondidos nas quatro paredes em que finalmente me entregava. Descansava da incessante busca exterior, enfim só, a sós me encontrei em mim, dormindo em calor preguiçoso após o gozo dessa solidão sem fim.
Eu caminhava por tantos lugares em busca de companhia, em busca daquilo que me completasse. Fui aos becos e aos vales, ao alto da montanha e me banhei no oceano. Nos olhares os mistérios, nos sorrisos os desabafos, quem está ai? No pouco que me diziam, procuravam me mostrar quem estava lá, eu estava, mas não me enxergava. Eu ia com eles, e seguia as oportunidades, quem está ai também possui tantas vontades? Experimentei os sentimentos, os sentidos aguçados, o corpo sendo testado, para que eu pudesse vivenciar. Do amor eu me esquivava pois era professor também da escuridão, do apego da matéria, da dor da ilusão. Me afastava, me repelia, quem está aqui? Esperava o prazer de infinita companhia, de sono dividido, de jantares preparados, de problemas resolvidos, de prazeres escondidos nas quatro paredes em que finalmente me entregava. Descansava da incessante busca exterior, enfim só, a sós me encontrei em mim, dormindo em calor preguiçoso após o gozo dessa solidão sem fim.
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