segunda-feira, 25 de abril de 2016
erenãominta
a febre volta e a garganta sangra, meu verbo quer rasgar os meus segredos, a minha pele continua a queimar, por onde ninguém vê o rio da vida ferve, eu preciso escutar minha respiração e agradecer, agradecer a inspiração da vida, a expiração que lembra que o tempo é dono da morte. fecharam os caminhos até um campo minado, um campo de concentração pessoal, no qual reconheço o sentimento recorrente de não pertencer a mais nenhum ambiente. respira. quantas vezes só cumprir o meu papel? quantas vezes meu papel foi só passar, ver todo mundo se encontrar? muita agua correu aqui, muito passou, quanta força eu tive que fazer, quantas vezes o destino venceu e me levou. todos se encontrando, eu sempre me perdendo, sendo afastada por forças que me dizem ser guiadas. cigana, que não aprendeu a ser dissimulada. eremita, tão cedo.segura o choro, afasta o medo. nathali, seja sempre corajosa.
quinta-feira, 24 de março de 2016
des-espera.
o choro dela não é por você.
o esforço, o suspiro, o jeito arrastado,
as palavras, o eufemismo, a poesia,
nada disso tem você de pano de fundo.
as musicas que ela escuta, o olhar deprimido.
não é você quem ela encontra no pensamento perdido.
no fim das contas ela não está mais te esperando,
você não é mais a causa da insônia
e tão pouco será a solução do problema.
num golpe lento você a deixou pensar que sim
por medo dos danos e machucados,
por pena, por dó talvez.
mal sabia que ela prefere morrer
num bruto golpe honesto,
que definhar com mentiras e esperas.
a quanto tempo você a manteve esperando?
quanto tempo achou que ela esperaria?
é preciso que alguém te diga que
ela terminou o relacionamento com a espera,
e agora vai se apaixonar, se entregar e amar
apenas o que como ela já não pode mais esperar.
o esforço, o suspiro, o jeito arrastado,
as palavras, o eufemismo, a poesia,
nada disso tem você de pano de fundo.
as musicas que ela escuta, o olhar deprimido.
não é você quem ela encontra no pensamento perdido.
no fim das contas ela não está mais te esperando,
você não é mais a causa da insônia
e tão pouco será a solução do problema.
num golpe lento você a deixou pensar que sim
por medo dos danos e machucados,
por pena, por dó talvez.
mal sabia que ela prefere morrer
num bruto golpe honesto,
que definhar com mentiras e esperas.
a quanto tempo você a manteve esperando?
quanto tempo achou que ela esperaria?
é preciso que alguém te diga que
ela terminou o relacionamento com a espera,
e agora vai se apaixonar, se entregar e amar
apenas o que como ela já não pode mais esperar.
quarta-feira, 23 de março de 2016
roseira
Num canteiro bem cuidado,
com alecrim e manjericão,
a beleza se fez na terra
botão, por botão.
Brancas, vermelhas, amarelas,
guardadas por espadas de ogum,
inspirando romances e poesias
no emaranhado de caules e folhas,
suaves pétalas surgiam.
Mas como o destino se faz variar,
um dia uma rosa amarela,
pela violeta se viu apaixonar.
rosas apaixonadas,
cheias de espinhos
temendo se machucar.
Do medo o cuidado,
do cuidado o fim amargo.
Colheram rosas brancas para simbolizar a paz,
vermelhas para a paixão de um rapaz,
as amarelas aos orixás
e as violetas ficaram mas sem amor murcharam.
Quem plantaria uma roseira?
Uma perto de uma cachoeira,
para Oxum abençoar
que um amor tão genuíno
pudesse ali reencarnar,
sem o medo de uma guerra começar.
com alecrim e manjericão,
a beleza se fez na terra
botão, por botão.
Brancas, vermelhas, amarelas,
guardadas por espadas de ogum,
inspirando romances e poesias
no emaranhado de caules e folhas,
suaves pétalas surgiam.
Mas como o destino se faz variar,
um dia uma rosa amarela,
pela violeta se viu apaixonar.
rosas apaixonadas,
cheias de espinhos
temendo se machucar.
Do medo o cuidado,
do cuidado o fim amargo.
Colheram rosas brancas para simbolizar a paz,
vermelhas para a paixão de um rapaz,
as amarelas aos orixás
e as violetas ficaram mas sem amor murcharam.
Quem plantaria uma roseira?
Uma perto de uma cachoeira,
para Oxum abençoar
que um amor tão genuíno
pudesse ali reencarnar,
sem o medo de uma guerra começar.
quarta-feira, 9 de março de 2016
Quem está ai?
Eu caminhava por tantos lugares em busca de companhia, em busca daquilo que me completasse. Fui aos becos e aos vales, ao alto da montanha e me banhei no oceano. Nos olhares os mistérios, nos sorrisos os desabafos, quem está ai? No pouco que me diziam, procuravam me mostrar quem estava lá, eu estava, mas não me enxergava. Eu ia com eles, e seguia as oportunidades, quem está ai também possui tantas vontades? Experimentei os sentimentos, os sentidos aguçados, o corpo sendo testado, para que eu pudesse vivenciar. Do amor eu me esquivava pois era professor também da escuridão, do apego da matéria, da dor da ilusão. Me afastava, me repelia, quem está aqui? Esperava o prazer de infinita companhia, de sono dividido, de jantares preparados, de problemas resolvidos, de prazeres escondidos nas quatro paredes em que finalmente me entregava. Descansava da incessante busca exterior, enfim só, a sós me encontrei em mim, dormindo em calor preguiçoso após o gozo dessa solidão sem fim.
Eu caminhava por tantos lugares em busca de companhia, em busca daquilo que me completasse. Fui aos becos e aos vales, ao alto da montanha e me banhei no oceano. Nos olhares os mistérios, nos sorrisos os desabafos, quem está ai? No pouco que me diziam, procuravam me mostrar quem estava lá, eu estava, mas não me enxergava. Eu ia com eles, e seguia as oportunidades, quem está ai também possui tantas vontades? Experimentei os sentimentos, os sentidos aguçados, o corpo sendo testado, para que eu pudesse vivenciar. Do amor eu me esquivava pois era professor também da escuridão, do apego da matéria, da dor da ilusão. Me afastava, me repelia, quem está aqui? Esperava o prazer de infinita companhia, de sono dividido, de jantares preparados, de problemas resolvidos, de prazeres escondidos nas quatro paredes em que finalmente me entregava. Descansava da incessante busca exterior, enfim só, a sós me encontrei em mim, dormindo em calor preguiçoso após o gozo dessa solidão sem fim.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
não-relação
meu maior problema sempre foi a comunicação
sempre ficava doente por não saber me comunicar
o que penso não combina com o que consigo falar
e o que eu sinto, ninguém consegue imaginar.
eu tento expressar, me esforço de verdade
eu canto, escrevo, conto minha visão
mas você não vai entender 2% de mim
se pensar só no que consigo mostrar.
eu tenho partes soltas por dentro
que se chocam o tempo todo
as vezes tento só não me moverpra não esbarrar em mais nada,
mas não consigo ficar parada
percebi que relações são feitas de pequenas ações
mesmo quando você não se relaciona com nada
pode acabar sendo relacionada
e quando falamos criamos uma tensão
que sem ação, vira energia parada
faz a relação ser encenada
e a não-relação cresce
até que não sobre nada
além das expectativas frustradas.
sempre ficava doente por não saber me comunicar
o que penso não combina com o que consigo falar
e o que eu sinto, ninguém consegue imaginar.
eu tento expressar, me esforço de verdade
eu canto, escrevo, conto minha visão
mas você não vai entender 2% de mim
se pensar só no que consigo mostrar.
eu tenho partes soltas por dentro
que se chocam o tempo todo
as vezes tento só não me moverpra não esbarrar em mais nada,
mas não consigo ficar parada
percebi que relações são feitas de pequenas ações
mesmo quando você não se relaciona com nada
pode acabar sendo relacionada
e quando falamos criamos uma tensão
que sem ação, vira energia parada
faz a relação ser encenada
e a não-relação cresce
até que não sobre nada
além das expectativas frustradas.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
despidys
mostrava-se torta
não tirava vantagem
abria a janela
abria a porta
as uniões aconteceram todas na fragilidade
pois no auge, quando estávamos bem
não precisávamos de ninguém.
foi no tombo feio da nossa mediocridade
que fomos expostos a nossa humanidade
e ali despidos do orgulho e da vaidade
demos passagem ao amor e a compaixão
mas estamos subindo um degrau
e caindo três sem humildade.
de volta as almas vestidas e armadas
mesmo com a carne pelada, nada se vê.
não tirava vantagem
abria a janela
abria a porta
as uniões aconteceram todas na fragilidade
pois no auge, quando estávamos bem
não precisávamos de ninguém.
foi no tombo feio da nossa mediocridade
que fomos expostos a nossa humanidade
e ali despidos do orgulho e da vaidade
demos passagem ao amor e a compaixão
mas estamos subindo um degrau
e caindo três sem humildade.
de volta as almas vestidas e armadas
mesmo com a carne pelada, nada se vê.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
vida que
Abro um link ou outro, mas não leio tudo sempre, geralmente eu não leio nada, passo o olho e me dou por satisfeita em ter entendido superficialmente. É isso o que você faz aqui?
Entende superficialmente minha mente?
Entende superficialmente minha mente?
Já se passaram algumas horas e eu ainda não consegui decifrar os erros dela, a verdade é que quanto mais a gente procura, mais enlouquece. Tudo continua mudando e o que esta definido fica lá, sendo o padrão que hora ou outra vai te atrapalhar. Poderia, e já até me irritei, mas não queria que ela fosse diferente, eu amo essa cabeça a qual convivo 24 horas diariamente.
Eu me viro do avesso, tenho bruto prazer em perder esse tempo, deixando fluir meu desconhecimento. É tudo uma doideira, todos sabem, uns tentam bloquear a doideira, outros nem tanto. Quer fechar a torneira? Ótimo, seja apenas racional, resolva os problemas, evite os problemas, viva como manda a sociedade, viva como manda a vontade de alguém que diz que é assim que tem que ser, por tanto é assim que você vai fazer. Eu não era assim, mas aprendi a ser.
No dia a dia eu aprendi a me sentir calma, eu aprendi a me sentir segura, mas também aprendi a não me arriscar tanto. É assim que tenho levado, morna, tanto quanto você ai, seguro do seu lado.
No dia a dia eu aprendi a me sentir calma, eu aprendi a me sentir segura, mas também aprendi a não me arriscar tanto. É assim que tenho levado, morna, tanto quanto você ai, seguro do seu lado.
Viver a vida com cuidado, um tédio pelo qual eu tenho que passar.
É um ótimo experimento, aparentemente deste lado estamos felizes na medida certa, somos também muito educados, mas agora tão quietos, não estamos tão mudados, parecemos até estagnados. Conversando à miúdos, de corações atiçados pelo agito dos que nos deixam animados, você sabe, é isso que terá ao meu lado. Se arrependeu dos sorrisos que deu? Ninguém se arrepende de um sorriso que dá. Se arrependeu de chorar? Nenhum pranto foi tanto que não desse alivio pra continuar. Sou tão atormentada que minha especialidade é atormentar, o meu vicio é ver tudo mudar.
E eu vou assim, mudando rápido de onde não posso ficar, agoniada nas correntes dessas mentes, mas com chances de finalmente ter paz em algum lugar.
Tudo é muito simples para quem é tão racional, mas sem um mistico sentimento incontrolável, a vida para mim fica insuportável. É possível ver algo assim se criar onde aparentemente não há?
Irracional demais, onde há, tenho sempre que evitar. Um aviso antes de declinar: Não aceito ser a indecisão racional de ninguém, me queira muito, saiba o que quer e queira muito bem, ou não me perturbe, amém!
Não sou como a esfinge que diz: "Decifra-me ou te devoro."
Não há em mim o que decifrar, eu entrego tudo, basta perguntar, mas se fosse pra acertar, seria mais como um animal: Domestica-me ou te abandono. Se espera da vida algo visceral, eu sou um tormento cardinal, aceito tudo que vier e nos tirar dessa monotonia. Fico apaixonada por qualquer ideia, vou embora qualquer dia, o segredo é chamar e ver onde vamos dar... Sobre me prender, se raramente acontecer, vai ser sem me segurar. E quando eu cansar, eu vou mudar, vou mesmo, observe e verá, do fogo do sol que ascende o ascendente, eu transmuto pra outro tipo de vida e mudo tudo bruscamente. É vida que segue, é vida que me chama e grita para que eu a experimente.
E eu vou assim, mudando rápido de onde não posso ficar, agoniada nas correntes dessas mentes, mas com chances de finalmente ter paz em algum lugar.
Tudo é muito simples para quem é tão racional, mas sem um mistico sentimento incontrolável, a vida para mim fica insuportável. É possível ver algo assim se criar onde aparentemente não há?
Irracional demais, onde há, tenho sempre que evitar. Um aviso antes de declinar: Não aceito ser a indecisão racional de ninguém, me queira muito, saiba o que quer e queira muito bem, ou não me perturbe, amém!
Não sou como a esfinge que diz: "Decifra-me ou te devoro."
Não há em mim o que decifrar, eu entrego tudo, basta perguntar, mas se fosse pra acertar, seria mais como um animal: Domestica-me ou te abandono. Se espera da vida algo visceral, eu sou um tormento cardinal, aceito tudo que vier e nos tirar dessa monotonia. Fico apaixonada por qualquer ideia, vou embora qualquer dia, o segredo é chamar e ver onde vamos dar... Sobre me prender, se raramente acontecer, vai ser sem me segurar. E quando eu cansar, eu vou mudar, vou mesmo, observe e verá, do fogo do sol que ascende o ascendente, eu transmuto pra outro tipo de vida e mudo tudo bruscamente. É vida que segue, é vida que me chama e grita para que eu a experimente.
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