sexta-feira, 10 de abril de 2015
Coxinha!
Uma das coisas mais difíceis que eu já tive que aprender a fazer na vida foi a coxinha!
Trabalhava em um café e tive que aprender a fazer todos os salgados, assim, do dia pra noite. Cada vez que abria o freezer e via um dos salgados acabando, eu tinha vontade de chorar.
Não nasci com um dom pra cozinhar, foi uma habilidade que tive que desenvolver na marra. O que eu sempre tive foi teimosia e acho que só por isso consegui sobreviver tanto tempo nas cozinhas. Mas organização, força, agilidade, destreza, humildade, foco e a habilidade de fazer coisas gostosas na velocidade da luz, isso eu tive que conquistar com muito suor, finais de semanas e feriados roubados, além de lagrimas, perda de peso, ganho de peso, vida do avesso e lagrimas, sim, muitas lagrimas, leves depressões, sonambulismo e alcoolismo.
O recheio tradicional da coxinha é peito de frango cozido, desfiado e temperado. Rapidamente você resolve o seu recheio e aquela massinha gostosa não tem muitos segredos, claro que as receitas variam, mas você consegue fazer ela com aguá, sal, um pouco de óleo e farinha... O problema dessa massinha gostosa, é que você cozinha ela na panela, e tem que mexer o tempo todo, pois ela vai grudando no fundo e você não pode deixar. Ela é PESADA, é uma coisa pra ser feita em duas pessoas no minimo, um segura a panela, o outro vira uma batedeira humana e quando cansar, reveza. A panela cabia eu dentro sentada, e muitas vezes eu fazia sozinha, tenho vontade de chorar por mim mesma, só de lembrar.
O ponto também não é dos mais fáceis, se ficar com preguiça e achar que ta bom só porque tomou forma, ela fica crua e com gosto de farinha, se não misturar bem, fica com pelotas de farinha, se cozinhar demais fica horrível, rachada e impossível de modelar. Basicamente, se você nunca fez, você dificilmente vai acertar antes da sexta ou sétima massa de coxinha que você fizer na vida (vamos deixar oito, pois é o numero do infinito e pode ser que seja esse o tempo que você demore pra acertar uma massa de coxinha). Ah, sim.. Aquela quantidade sem fim de massa não se enrola sozinha, assim que a massa esfriar a ponto de não tirar a pele da sua mão, é hora de modelar.
Como eu não acertava nunca o ponto da massa, modelar a coxinha conseguia ser mais sofrido que fazer a massa. Ficava super mole e na hora de por o recheio grudava tudo na minha mão, o formato refletia toda a tristeza que eu sentia por ser incapaz de fazer uma simples e humilde coxinha lindinha. As vezes enquanto tava tentando enrolar minhas coxinhas, tava deixando crescer massa pra fazer enroladinhos, hamburguinhos, esfihas.. não tinha fim essa historia de fazer salgados. E não pense você que se eu não enrolasse aqueles 4 kg de massa de coxinha, eu podia me trocar e ir pra casa e terminar no dia seguinte. NÃO DÁ, não é assim que funciona, assim que a massa fica pronta, um cronometro começa a rodar com o tempo útil de vida que você consegue modelar a massa de coxinha.
Lembro de um dia sentar no lixo, rodeada de coxinhas defeituosas e mais 2kg de massa para serem enroladas e chorar, apenas chorar, porque era só essa a habilidade que eu tinha na época. Lagrimas corriam silenciosas no meu rosto, eu nunca na vida nem tinha gostado de coxinha, porque passar por isso?
Ok, não era todo dia que eu tinha que fazer coxinha, mas até eu superar o drama de ser um fracasso, passaram quase dois meses. Eu aprendi um milhão de formas de não fazer coxinha, um milhão de formas de não enrolar, um milhão de formas de como acabar com isso rapidamente, e passei a fazer coxinhas muito bonitas até, além de bem gostosinhas. Anos depois tive inclusive a oportunidade de fazer coxinhas de pato (muito mais chique), mas hoje me apeguei e gosto mesmo de coxinha de jaca.
Não concordo em chamar certas pessoas de coxinha, elas sinceramente não valem as lagrimas que derramei pra aprender a fazer esse salgado tão amado e querido por todos (que além de tudo é sempre mais barato que todos os outros salgados, ou seja, humilde e solidário). As vezes quando alguém fala "você não sabe o valor das coisas, por isso não é apegada", a primeira coisa que me vem na cabeça são coxinhas, gente, sério, se vocês soubessem o real trabalho por trás das coisas cotidianas que tem na sua vida, tipo uma coxinha, uma casa limpa pela empregada, seus acessórios e roupas made in china, você teria vergonha de viver num mundo tão complicado onde o ter é muito mais importante que o ser.
Pra mim, ser coxinha é ser humilde, persistente, é ser forte, acessível, é fazer tudo com amor e cuidado, pra não jogar nem um tantinho de massa fora por incompetência, ser coxinha também é ser uma delicia, claro! Quando vejo uma pessoa chamando a outra de coxinha, pra mim é evidente que nenhuma das duas sabem o trabalho e o real valor de tal salgadinho. Quer ofender? Ofende, mas não ofende a coxinha, ela não merece ser comparada com certas pessoas.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
incômodo
está bem mas não é saudável.
Arrasta os suspiros, alonga os bocejos.
Vem um sopro, um cutuco, um soco,
destrói a zona de conforto,
cria atrito, gera conflito,
incomoda e machuca.
Ela chora, pede pra parar!
Idiota, o mundo não gira a sua volta,
não da tempo de se lamentar.
Fica procurando o culpado,
mas ferida já estava lá
e ela não se cura só de esperar, desperta!
Passa o desconforto, passa o desespero,
vem a esperança, acaba o sofrimento
e com a força de quem aprendeu a apanhar,
se levanta pra vencer, com gana de mudar.
Aceita o tombo que doí menos,
levanta e aprende logo a amar.
terça-feira, 24 de março de 2015
Banho de sal
Entrei no mar de roupa, cai na areia e chorei.
Todas as bocas são iguais, mas coloquei um significado na sua
Chorava, chorava, chorava
O rosto salgado da própria agua, misturado com a agua do mar
o único significante foi o que eu te dei.
Me ama, me ama mais, me ama até perder a força
quinta-feira, 19 de março de 2015
existo logo re-sisto
re-vivo as velhas dores
re-moendo quem gostaria de ser
é necessário que eu re-pense
re-faço os passos
mas é normal ter re-caidas
é necessário re-sistir
a tentação de me re-nder
quando a situação se re-pete
sempre re-lutante em mudar
me lembro de re-spirar
dessa vez eu não re-ajo,
re-significo
re-nasço
re-começo
re-nuncio!
terça-feira, 17 de março de 2015
cria
tudo começou com uma ideia
veja só o poder da ideia
foi a consciência de um só pensamento
que fez a primeira célula sua.
e olha só que bela ideia você é.
linda ideia você é.
vamos ter mais ideias como você,
que bela ideia você se tornou!
--------------------------------------------------------------------------------------------- G. M. F.
quarta-feira, 4 de março de 2015
Um ponto azul esquecido propositalmente.
olha esse monte de outras galáxias.
São tantas, é muito difícil comprimir essa imagem no cerebro
somos mesmo muito pequenos.
ainda não acharam provas de outras vidas
Nós temos que nos unir,
isolados em um planeta azul,
que não tem a menor importancia
comparado ao tamanho do universo
Deixado aqui isolados e sozinhos de propósito,
Precisamos nos unir para evoluir!
terça-feira, 3 de março de 2015
espizofrenia
Não tem nenhum sentido afirmar que sim, bem possivelmente estou conversando comigo, e independente da certeza, quantas coisas cabem aqui dentro, não é? Não me admira tantos antissociais no mundo, até as pessoas que eu conheço muitas vezes são mais interessantes na minha imaginação do que na realidade, tenho diálogos com elas muito mais bacanas do que elas me propõem na realidade e elas me propõem coisas muito mais interessantes e sensacionais no mundo dentro das minhas ideias do que no mundo que tá rolando de verdade.
Se tem um universo dentro de mim, ele com certeza é um lugar bom pra me esconder, afinal tudo nele combina comigo, inclusive as pessoas que estão dentro da minha mente são perfeitas companhias. Mas fico em duvida, como eu vou saber se essas vozes tão vindo de uma força externa ou sendo criadas por mim? Eu crio tanta coisa, fica difícil saber.. Alias, será que eu crio alguma coisa ou são sempre essas vozes me soprando ideias? Por via das duvidas eu sempre obedeço elas, repasso o que elas me passam e vou na onda desses pitacos e suas direções. Estranho isso, se são sempre as vozes, eu sou só marionete? Só um pau mandado de coisas misteriosas que me controlam? Seria correto afirmar que essas coisas misteriosas - tipo espíritos e entidades - são minhas próprias células dentro do meu cérebro? Sei lá, de qualquer forma eu não vejo nada disso a olho nu.
Tava agora a pouco trocando ideia com um cara que conheci uns tempos atrás, ele tava me falando pra eu voltar lá, e eu concordando que era bom mesmo, ai pensei na minha agenda e se pá vai rolar. Mas eu tava trocando essa ideia dentro da minha cabeça, sabe como é? No meu sentido parece que o espírito veio aqui e tava bolando essa idéia, mas pra você vai ver que isso é produto do meu subconsciente trazendo a tona uma cobrança. Eu trato isso de uma forma positiva e amigável: Se forem espíritos eu gosto deles, se forem vozes da minha cabeça, eu amo elas.



