quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O amor te confunde com suas formas.

As coisas são tão simples se deixadas simples... sabe?
Quando eu era adolescente sofria muito, custei a entender que as coisas que a gente não entende, são pra ser assim mesmo, um mistério que nos prende e agita!
Não tem como explicar algo que você não controla, e também não adianta fingir que não está ali, tem um motivo desse sentimento, por menos sentido que ele faça agora, ele tem um porque!
O jeito é deixa a vida mostrar, e amar, amar mesmo, amar muito, com as limitações e formas que tem pra amar, mesmo que não seja o quanto você gostaria que fosse, mesmo que seja bem menos, mesmo que seja bem raro, e feito de poucos momentos e pequenos gesto que você vai guardar.
Mesmo que o coração bata ao contrario, e você continue sorrindo sem saber o que fazer ou dizer...
Tem um porque, calma!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Eu queria que você pudesse ver..

Era antes da meia noite quando a gente saiu do trabalho, fui com os meninos no posto, a gente comprou uma cerveja, a noite tava incrível, dessas de sentar no meio fio e ficar falando, sentindo o ar fresco que a chuva trouxe. Conversamos um pouco no ponto, meu ônibus veio. Logo que passei meu cartão, me lembrei, consegui colocar umas musicas no celular, e sabe a quanto tempo eu não andava por ai ouvindo um som? Pensar nisso fez minha vontade de chegar em casa ficar menor, fez crescer a vontade de andar e aproveitar a noite.
Então lá estava eu no elevado, meia noite e treze, o asfalto molhado, a noite fresca, as ruas vazias, como um inicio de terça-feira prevê que se deve ser! O vazio no meio do concreto, o som aumentando no fone do meu ouvido, quando senti a emoção crescer, percebi que já estava cantando alto com a musica!
Senti vontade de abrir o braço, e correr um pouco, talvez eu tenha feito isso, mas o que asseguro é que ri, sorri, sorri e ri muito, ali andando e vivendo aquele momento!
"CORRE PRA VARANDA E VEM CÁ VER. FAÇA SOL OU CHUVA UM LINDO DIA VAI NASCER"
Eu queria que você pudesse ver a noite linda que tava, São Paulo com cara de alma lavada, o concreto dando passagem em um corredor só meu, e apesar da musica nos meus ouvidos, o que se via claramente era o silencio, o descanso e a paz instalada.
Vi nas paredes dos prédios as pichações e os grafites, pensei no como esse vandalismo nos conta historias, admirei os grupos e tribos que ali passaram por essas décadas e que souberam que a cidade era pra ser explorada, usada e abusada, principalmente de madrugada. Acompanhando as solas dos meus pés, o asfalto, diariamente gasto com os carros que vem e vão, das 6:30 as 21:30, lavado, rachado como a pele que fica velha na ação do tempo, mas fresco!
Queria que você pudesse viver isso, sabe? Ver o como o medo é herdado, geneticamente e culturalmente e que talvez se as ruas vazias estivessem cheias de gente como nós, não haveria perigo. Queria que você se desse ao luxo, de vez ou outra se arriscar, e terminar seu dia de forma diferente, de modo que saindo da rotina, pudesse ver o porque você escolheu estar vivendo nessa cidade, esse momento, essa vida. E descendo a rampa de volta ao chão, você se depararia com as pessoas dormindo na rua, e provavelmente isso te faria sentir gratidão, por tudo o que tem, ao mesmo tempo que te faria frágil a ponto de se colocar e se comparar, ver-se lado a lado, como irmãos, partes iguais desse todo, que estão apenas vivendo fases diferentes de aprendizado.
Queria que nós pudêssemos dividir alguns pensamentos, porque gostaria de dividir risadas sobre as minhas teorias malucas, ou que você pudesse apenas rir de mim, e do modo o como eu me encho de inspiração ao perceber que se exercitar é importante, mas paro no posto de gasolina na esquina de casa pra comprar cerveja e cigarro, tudo em uma questão de dez minutos. Queria ser eu mesma, não que eu já não seja, mas queria que ser assim, como já sou, fosse o suficiente, não pra todo mundo, mas pra você! Queria ter esse sentimento, de perceber no seu contentamento, que meu tênis velho e minha mochila estão mais que de bom tamanho, perceber que na verdade, isso no fundo até te agrada confortavelmente. Queria que você pudesse ver as coisas dessa forma meio encantada, queria que pudesse se apaixonar 75 vezes por dia, por diferentes coisas que passam na sua frente.
Queria sorrir na caminhada, aproveitar o inicio da madrugada, e depois de cantar junto, filosofar junto, amar junto, chegar na esquina de casa, e perceber junto, que não estamos prestes a entrar em casa, perceber que sua casa, a minha casa, a nossa casa, está longe, e que essa vida é apenas uma viagem.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Disse que nada importa!

Nada importa, sabia?
A vida foi feita pra ser essa coisa largada mesmo, não é pra ser planejada, nem medida! O planejamento vai esgoto abaixo e só fica a frustração pós ansiedade! A gente vai errar, e vai dar merda, mas se você souber que tudo passa e nada fica... Ai você vai entender que nada importa, porque logo depois que der merda, você vai estar livre pra dar certo e assim vai! 
O que passou ta muito longe, sabe? A vida já é outra do que era meia hora atrás... E nada continua importando... Uqem dirá o que se passou a uma semana, ou um mês.. vish
Mas ai me ocorre que esse pensamento largado pode dar um conflito, e se caso alguém te perguntar: "você é feminista?", "luta por alguma causa?". Acho que seria grosseiro dizer que nada importa, então acho que a unica luta que me interessa é a luta pela liberdade.. não importa qual seja, sejam livres! Isso me lembra uma cena que gosto muito, de uma tal de Margaret...
Pensando por esse lado, talvez a unica coisa importante realmente seja a liberdade... e vendo por esse lado, talvez liberdade seja amor... Não sei se me compreende, mas se não, não importa! 

domingo, 1 de setembro de 2013

Eu quero, mas e se querer for errado?

Já pensei em procurar terapia, mas confesso que prefiro gastar o dinheiro no bar e escrever no meu blog!
A parte difícil de deixar de ser criança, é que as pessoas vão deixando de te dizer o que você tem que fazer, e tudo o que você tem pra ir vivendo e fazendo suas escolhas, são as noções básicas de certo e errado que aprendeu na infância!
Tudo seria muito fácil se fossem questões tao praticas... Mas você se pega querendo coisas que aprendeu que não deveria querer, e é isso que chamam de conflito!
As pessoas dizem que o certo é ser independente, certo? E costumam apontar os melhores efeitos sadios de vidas baseadas em relações de CADA UM NO SEU QUADRADO... e ok, eu até acho que faz sentido... Eu entendo bem de desapego, me considero desapegada... mas me considero desapegada de coisas, e a esse nível, posso dizer que estou de parabéns... Mas é errado querer ser parte essencial da vida de alguém? Isso conflita com independência? É errado que eu queira ter alguém que priorize minha companhia? Muita gente pode achar que é errado... mas se eu quero, quão errado pode ser?

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

As aventura noturnas de uma cidade sem transporte coletivo 24 horas:


Estava no ponto a mais de vinte minutos, tava acendendo um cigarro com um fosforo desses de motel e o vento já tinha apagado uns vinte! Minha orelha congelada e um arrependimento constante de ainda não ter comprado uma luva e uma touca! Que diabos, por que o inverno não acabou ainda?
Estava me sentindo o ser humano mais congelado do planeta, a pessoas mais picolé do que as pessoas que vivem com pinguins na antártica, mas finalmente consegui acender o cigarro, parei de andar de um lado pro outro numa tentativa frustrada de aquecimento e sentei no ponto outra vez! Nesse momento, vinha vindo do outro lado da rua uma mulher com duas sacolas gigantescas em cada mão, uma mochila bem grande nas costas, um cobertor entre um dos braços e um menino de uns 7 anos enrolado num cobertor! Ela praticamente se arrastando com tanto peso e ele envolto no cobertor, como quem sai do banho quente no frio. Quando a gente vê um adulto se fodendo no frio, é foda... mas criança... puta que pariu, criança é desesperador! Foi só ver aquilo que imediatamente meu frio passou! Sei lá o que me deu, sei que quando vi já tava atravessando a rua... no tempo de eu atravessar eles pararam na frente de uns degraus de um prédio pra descansar, e eu percebi que nem sabia o porque eu tinha atravessado a rua... nesse momento chega um hippie e me lança uma conversa direta:
"-Ta feliz ou triste?
-Ahn? Ah, feliz, seria ingratidão com a vida estar triste...
-Eu to triste!
-Triste porque?
-Acho que vou morrer sozinho!"
Talvez eu devesse ter medo, eu sei que a primeira regra é jamais falar com estranhos, mas eu achoq eu tenho uma boa intuição, e ela não me apontava perigo, por isso a conversa continuou:

"-Mas porque? Pensa assim não!
-Agora o pessoal ta todo lá na São João, e eu to aqui... tenho mais de dez anos sendo artista de rua, mas me falta algo sabe? E não é material! Parece que eu me envolvo e conheço as pessoas, me dou bem com toda essa galera, eles gostam de mim, e faço um ciclo de amizades, mas nunca estou realmente nele, sabe? "
Os olhos do nego tavam cheios de lagrima, e minha garganta com um nó cada vez mais apertado... ele deu um gole no goró dele e eu respondi a verdade:

"-Sei, eu entendo! Mas calma, tem muita vida pela frente ainda!
-Parece que a vida me cobra pelos meus pecados e escolhe pra mim a solidão!
-Acho que muita gente se sente assim... Mas tenta se perdoar pelos seus pecados primeiro...
-Eu acho que já me perdoei, ou não, sei lá.....Gostei de você, por ter escutado meu desabafo! Vou te dar um presente!
-Ah não, relaxa, tenho que sair fora, acho que não passa mais meu ônibus hoje!
-Não pô, toma aqui um brinco, queria te dar um abraço, mas você nem me conhece né? Não ia pegar bem!"
Aceitei o brinco, também acho que o abraço não ia pegar bem. Fui embora andando, depois de tudo isso fui sem frio! Dei uma olhada pra trás e vi a mulher e o filho levantando acampamento outra vez, pedi proteção pra mim e pra eles!
"Deus proteja a todos nós, marginais noturnos!"

terça-feira, 16 de julho de 2013

Espíritos elevados do elevado!

Voltando pra casa hoje e passando por baixo do elevado, só o que se vê são os corpos dos moradores de rua, estendidos no frio, com suas poucas coisas, tabuas, papelões, moveis velhos.. Passo todo dia e nunca deixa de ser uma cena forte! Eu fico tentando entender... como eu posso estar indo pra casa, e ter todo esse espaço, todo esse monte de coisas, ter uma cama, cobertor, comida na geladeira.. e essas pessoas não terem nada? Tem uma senhora que dorme bem na esquina da minha rua, e ela ta logo ali, deitada com um pano velho que não cobre nem o pé e o andador em cima dela, com sacolinhas amarradas com suas coisas... Eu fico tentando entender, como eu posso passar a vida ignorando isso? Os livros de cabala falam que não podemos ser infelizes, ou deixar de conquistar as coisas só porque os outros não estão felizes, ou porque o outro não esta bem, ou não tem... Mas como eu posso não me sentir culpada por ter tanto sendo que tanta gente não tem NADA? Lembrei de uma conversa com a Nathália Borges, em que ela disse que esses espíritos que encarnam na terra pra viver assim, são muito corajosos.. eu acho que são mesmo... Mas e eu? E nós? Que tipo de espirito a gente é pra ignorar tudo isso? Tenho que seguir e pensar "cada um com seu karma!"?
Porque é basicamente isso que a gente faz... Eu não tenho um cobertor pra levar ali na esquina, e o dinheiro que eu tenho, provavelmente vou tomar uma cerveja e pensar "trabalhei tanto essa semana, eu mereço"... Mas me choco todos os dias com essa realidade, não posso deixar de pensar e questionar... É tanto consumismo, tanta coisa desnecessária que a gente acha que precisa, que as vezes eu acho que essas pessoas na rua, vivendo com "o que tem pra hoje" vivem de forma mais correta que a gente... Acho que o sofrimento de estar sujo, de não ter o que comer, de passar frio é o que dói tanto... mas o desapego é a grande lição dessas almas!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

nem sei

Nem sei se eu sei o que quero, as vezes acho que eu não quero é nada... As vezes acho que eu quero muito, muito de um tanto que não consigo mensurar... Mas ai eu penso, que talvez seja tudo bem simples, tao simples, que eu nem percebo que o que torna tudo tao longe e distante, é só ânsia! Como aquele pensamento esquecido, que você deveria ter lembrado, sabe? Quando você sabe que tem algo, mas não lembra, e fica naquela ansiedade, até lembrar e falar "ah, é mesmo", mas quando você lembra, percebe que de fato a resposta era muito mais simples, e que o que tornava ela complexa era sua ânsia! Da até impressão que mesmo lembrando, você não lembrou, da impressão que era outra coisa, uma coisa mais complexa!